Eu voltei do Pará há 4 meses, mas ainda não tinha tido coragem de editar as fotos e montar esse post. A bem da verdade é que aconteceu tanta coisa nesse tempo que fiquei com um certo cansaço. Fiquei doente, fui assaltada, tive uma alergia forte no olho e morri de saudade de casa. E não tem forma melhor de começar esse post dizendo: Belém me fez pensar na diversidade e em como o Brasil pode ser considerado realmente "mil Brasis".Belém é cheia de encanto. E cada minuto lá foi apreciado, com um misto de fascinação e um misto de estranhamento. É uma cidade muito diferente de tudo que eu estava acostumada. Dizem que viajar é se deparar como o novo e conhecer novas culturas, certo? Mas eu realmente não imaginei tanto. Tudo é muito diferente, o ritmo é outro.


Para começar, a cidade é bastante monótona. Em 3 dias eu já havia percorrido o roteiro turístico e em um semana praticamente conhecia a cidade toda, porque já sabia as linhas de ônibus, funcionamento, bairros mais tranquilos, e etc. Percorri praticamente todos os bairros e andei bastante de bus, naquele roteiro roots mesmo, porque era a ideia. Mas a cidade é "pequena" apesar de ser capital, é pequena para o meu parâmetro. Bem menor que a cidade onde vivo. Então no fim eu meio que já estava entediada, e me arrependendo de não ter ido para outros lugares nos arredores de Belém.
Além disso a cidade é bastante desorganizada. Não há sinalização, nenhuma preocupação com o turista. Um ponto que achei complicado por ser uma das capitais mais turísticas do país. Um dica que dou é evitar andar por lugares desconhecidos e sempre pegar ônibus. Não tem jeito, a cidade é perigosa sim. Quando me falaram isso eu pensei... "ah, mais que São Paulo é impossível!" acontece que em São Paulo é muito diversa (etnicamente falando), que não é quase impossível saber quando alguém é turista. Já em Belém, turista se destaca bastante. Eu infelizmente fui assaltada em frente a uma delegacia, e me chocou o fato que eles viram e não fizeram nada. Naquele dia eu entendi que deveria tomar o dobro de cuidado.
Outra coisa importante é pesquisar muito e não confiar em tudo que lê. Fomos parar em um lugar que disseram ser um ponto turístico incrível, mas era um lugar abandonado que depois descobrimos ser extremamente perigoso. Infelizmente, o que mais me decepcionou na viagem foi a desorganização da cidade. Faltam placas, informações sobre ônibus e iluminação. E o mais importante, faltam pessoas na rua. Depois de um certo horário, tudo parece dormir. De toda forma, seguindo o bom senso e pesquisando muito antes e ir ao qualquer lugar, não haverá problemas!
Os melhores lugares que visitamos, na minha opinião foi o Mangal das garças e o Mercado ver o peso. Tiveram outros lugares bacanas, muita natureza, animais exóticos e frutas estranhas, mas esses dois foram os mais legais pra mim. O primeiro porque é uma espécie de parque/reserva bem grande que tem vários animais legais e muita natureza. As atrações incluem um orquidário <3 e um borboletário, onde aliás, ocorreu algo engraçado. Pra quem não sabe, tenho fobia de lagartas. Mas tipo, FOBIA MESMO! Dai resolvi que ia enfrentar o medo entrando no borboletário, afinal, eram tantas borboletas lindas e não necessariamente haveriam lagartas... quer dizer, quem sabe? Comprei o ingresso e caminhei rumo a entrada. Logo na primeira curva me deparo com uma lagarta empalhada... gente, mas na hora eu gelei e entrei em surto. Minha amiga entrou e eu fiquei lá fora, bem longe de qualquer coisa que pudesse me tocar... hehehe Mas é muita jeguice achar que não iam ter um montão de lagartas lá né? fala sério!
Mas prosseguindo, o mercado ver o peso é fantástico! Todo tipo de artesanato, especiarias, frutas, pratos típicos... comprei todas minhas lembranças lá e experimentei alguns sucos e frutas típicas. Pra ser sincera, só gosto mesmo da acerola e do bom e velho açaí. Todo o resto me pareceu muito estranho. E olha que experimentei várias coisas! risos De toda forma, nada como ver aquele imenso rio em contraste com a cerâmica e as incontáveis barracas de frutos da terra Paraense. Uma cena difícil de esquecer.


Aliás, rios... Descobri que aqui a gente não sabe o que é um rio de verdade. Quer dizer, o tietê não conta como rio né? risos Lá os rios estão em todos lugar e são tão imensos que não dá pra mensurar. Lá a natureza se sobressai a tudo, é é lindo ver os barcos em meio a floresta lá no fim do horizonte. E foi lá também que vi um tornado pela primeira vez.... bem distante claro, lá no meio da floresta. Confesso que não tive coragem de andar de barco, mas já deixo o aviso: se quer sair da cidade e conhecer as dezenas de lugares paradisíacos no Pará, tem que ir de barco. Dizem ser super seguro, mas eu não tive coragem.
Sobre a comida, tem pratos típicos bem característicos, como a maniçoba, tucupi, tacacá, o bolo de tapioca... Tudo bem forte, mas gostoso. Aliás, comer não é um problema lá! Tudo incrível. sabem... é impressionante o quanto não sabemos nada daquela região. Infelizmente, tenho que confessar que assim como a maioria das pessoas por aqui, o Pará não é exatamente o primeiro lugar que nos vem a mente quando pensamos na Amazônia, mas foi incrível saber o quanto esse estado carrega de história e diversidade cultural. Foi um choque, simplesmente isso. Descobrir o quanto podemos nos sentir estranhos em nossa própria terra pelo simples fato de não conhecermos a diversidade no nosso país.



Algumas percepções aleatórias de Belém:
- A música mais tocada por lá é o tecnobrega/tecnomelody e vertentes. E acreditem, é muito legal quando você dança na beira do rio depois de beber bastante! /o/
- Não faz tanto calor assim em Belém, as pessoas exageram. Fui no verão deles e acreditem, sofremos mais em SP por causa da falta de umidade de natureza.
- Lá chove todo dia, é gostoso até, mas é chato porque impede você de fazer várias coisas.
- Lá tem muito inseto diferente.
- O preço da Cerâmica é ridiculamente baixo.
- Há muitas casas de parafitas na beira do rio.
- Não, você não pode nadar na maioria dos rios.
- Aliás, os rios são pavorosos. parece que vão te engolir pra sempre.
- As pessoas contam lendas macabras sobre os rios.
- Sintetizando, tenho medo de rio depois que voltei de Belém.
- Nos bairros não achei nenhum tipo de "padaria". O que foi frustrante, pois eu jurava que padaria é uma coisa universal e que qualquer esquina deveria ter.
- Pão francês é difícil de achar, e lá se chama pão careca.
- Aliás, dentro dos bairros existem um tipo de "armazém" que as pessoas fazem dentro de casa. É estranho. Você tem que pedir do lado de fora da grade.
- A polpa da fruta se vendo por quilo lá, e é fresquinha <3
- É muito triste, mas por lá é muito comum as histórias de escalpelamento. Existe até um hospital próprio que trata disso.
- Visitei um shopping lá que deixa todos os outros que já fui no chinelo.
- A Universidade Federal do Pará é incrivelmente bela. É a universidade mais linda que já visitei. deixa o USP no chinelo.
- No geral, as pessoas lá geralmente não gostam que as identifiquem com a cultura indígena. Embora sejam todos visivelmente descendentes de nativos.
- É muito barato ir pra outros lugares e ilhas próximas a cidade, como Marajó.
- E por último, quando você fala que é paulista, as pessoas soltam um "ah...". Deu pra perceber que o Rio de janeiro ofusca todas as atenções. A maior parte das pessoas com as quais conversei demonstram não saber quase nada sobre nós. Assim como a gente também não sabe quase nada sobre eles.

E pra encerrar, posso dizer que o melhor da cidade são as pessoas. Os habitantes de Belém são incríveis! Muito solicitos, gente que te acolhe de verdade! Além de ter uma criatividade e uma beleza ímpar. Voltamos refletindo muito sobre como ser pessoas mais legais! Senti que não aproveitei o quanto podia a experiência no Pará, pois não conheci nada além de Belém, mas a estadia lá acabou sendo mais rica que o esperado. Me ensinou que o Brasil é realmente grande e a gente não faz ideia da diversidade que existe nele.
Se eu sai daqui pensando que ia ver muito rio, floresta e comidas estranhas, acabei encontrando muito mais do que jamais poderia imaginar. saudade Belém! Obrigada por me fazer amar um pouco mais essa terra chamada Brasil!





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